O sexo e a moda
Redação Sem Frescura • sáb, 14 jun 2008 • Editoria: Colunas, Moda & EstiloO sexo mais esperado pelos fashionistas finalmente chegou às telas. Longe uma modalidade de exibição pública, falo do filme que tem a moda como personagem principal: Sex and the city. Óbvio, mas necessário. Até mesmo porque a figura que interpreta a protagonista mais querida das mulheres loucas por vestidos - Sarah Jessica Parker - é também alvo de crítica de uma enorme parcela masculina heterossexual. Esse fato, por si só, nos leva a questões que rondam a moda contemporânea, assim como suas marcas profundas nas formas de sociabilidade. Vamos a elas:
Questão 1: A revista “Maxim”, de apelo bem “macho”, recheada de beldades curvilíneas em poses convidativas, elegeu nossa querida Carrie como a mulher menos sexy de todos os tempos. Invejada pelas mulheres (e exaltada pelas publicações especializadas que as atingem) e criticada pelos homens (naqueles veículos que exaltam testosterona), Parker se torna uma metáfora para idéia de moda de vanguarda: é lindo para os olhos - aqueles mais treinados -, mas incômodo para a grande maioria das pessoas. Como a moda, hoje mais do que nunca, pressupõe uma enorme dose de massificação, tudo aquilo que parece a frente demais do tempo presente incomoda. E o faz porque é diferente. É quase como se, ao contrário do mundo das artes, o design de moda não pudesse olhar para frente, redudando infinitamente a idéia de presente contínuo. O que nos leva ao ponto seguinte…
Questão 2: As mulheres a adoram (na verdade, adoram as produções da stylist Patricia Field) porque tudo parece possível naquele corpinho mignon. Couture encontra peças de liquidação na maior tranqüilidade, sapatos grifados dão vida a peças de brechó, bolsas insanas caem como uma luva. Funciona na vida estetizada em Nova Iorque, funciona no tapete vermelho. Mas e na vida comum da grande maioria das espectadoras? Lembremos que vestimo-nos para o olhar alheio. E que esse tipo de argumento nada tem a ver com uma submissão feminina. É mais complexo: uma vez que qualquer inscrição sobre o corpo comunica e para a comunicação é necessário, no mínimo, dois, a roupa está sobre a pele para dizer algo à mirada do outro. E é aí que a massificação entra novamente: a maioria das pessoas busca aceitação alheia. E parece que, para os não iniciados no mundinho fashion, o excesso de Mrs. Bradshaw soa como a mais agressiva feiúra. É como se a mesmice fosse desejável porque é segura. Triste, mas verdadeiro.
Para quem não tem medo da desaprovação, “O sexo e a cidade” é uma aula de estilo. Ou, na pior das hipóteses, uma enorme diversão.
Carla Mendonça é mestre e doutoranda em Comunicação Social, professora, membro do conselho editorial da revista Dobras e co-autora do livro “Moda e Corpo: por uma compreensão do contemporâneo”





