Meu casamento
Redação Sem Frescura • ter, 21 out 2008 • Editoria: Minha HistóriaArquivo pessoal
Depois de muito sofrer, Juliana conseguiu se casar e viver feliz com seu marido |
Meu nome é Juliana Lavarine Calazans, tenho 19 anos, e me casei em outubro de 2007. Todo mundo que vê a aliança na minha mão esquerda fica meio espantado; perguntam logo a minha idade e se eu já tenho filhos. Que mania as pessoas têm de sempre ligar a idéia de que, quem se casa jovem é porque estava grávida! Felizmente (ou nem tanto), este não foi o meu caso - que também não foi dos melhores. Eu me casei em meio a muita pressão, e também em meio à separação dos meus pais. E o engraçado é que eu estava me casando com a intenção de não ser mais o motivo das brigas dos meus pais.
Tudo começou quando eu passei a namorar o Douglas, meu marido. Eu tinha 15 anos e ele, 20. Meu pai nunca aceitou o namoro e vivia maltratando o Douglas. Namoramos durante dois anos e sete meses, e ficamos noivos por dez meses.
Durante o nosso namoro e noivado, nós não íamos a lugar algum - devo ter ido a uns dois shows nesse tempo todo, e também pouquíssimas vezes na casa dele, que morava numa cidade que fica a quinze minutos da minha. Nem no dia dos namorados ou em aniversários a gente podia sair. Às vezes, quando o meu pai não estava em casa, minha mãe permitia que passeássemos, mas eu sempre tinha que estar em casa impreterivelmente, às dez e meia.
Foi uma fase desgastante, pensei várias vezes em desistir para poder ter um pouco de paz. Mas o Douglas me animava, dizia que logo iria me tirar daquela vida e que eu saberia o que é ser feliz de verdade. Ele nunca desistiu de lutar por mim e pelo nosso amor. E mesmo com um bando de gente tentando colocar na cabeça dele que não valia a pena, ele sequer ficou na dúvida o que queria para seu futuro.
Desde o início que meu pai já nos pressionava nos casarmos. Depois do primeiro ano, ele começou a cobrar o casamento. Meu pai dizia que já tinha dado tempo de decidirmos o que queríamos das nossas vidas. Finalmente, depois de dois anos e meio resolvemos ficar noivos, mas parece que nem isso agradou ao meu pai. Ele ficou mais rabugento do que nunca! E aí foi a vez da minha mãe começar a pressionar pra que o casamento acontecesse logo. Ela dizia que meu pai sempre enchia a paciência dela por minha causa, e que já que estávamos noivos, que o melhor era casar o mais rápido possível. Chegou até a nos oferecer um ano de aluguel por sua conta, caso o problema fosse moradia.
Quando eu ouvi isso dela, já sabia que eu não poderia ter o casamento que eu sonhava porque, a partir daquele momento, eu mesma decidi que não queria mais adiar o casório. Eu e Douglas conversamos bastante, vimos todas as situações possíveis e decidimos que seria melhor que morássemos na casa dos pais dele até que pudéssemos ter a nossa.
Deixei para contar para os meus pais assim que marcamos a data do casamento: dia 05 de outubro de 2007. Menos de um mês depois, minha mãe veio conversar comigo, falando que estava decidida a se divorciar do meu pai, porque meu casamento já estava marcado e ela via que a implicância dele não era por minha causa. Perguntou-me se eu me importava se ela saísse de casa antes do meu casamento, porque ela não agüentava mais a situação.
Faltando pouco tempo para o meu casamento, nos mudamos para a casa dos pais da minha mãe: eu, ela e minha irmã mais nova. Meus dois irmãos mais velhos ficaram em casa até decidir o que seria feito.
Não vou dizer que foi um momento fácil na minha vida, mas a verdade é que eu não ligava pra nada daquilo. Sofri minha vida inteira com o meu pai, que inclusive, já tinha me colocado pra fora de casa duas vezes. E mesmo com tudo isso, ela não se separou dele. E quando eu resolvo dar um basta na situação, ela faz o que eu esperei que ela fizesse a vida inteira.
No dia cinco de outubro lá estava eu, no cartório, de vestidinho branco que eu mesma mandei fazer, porque ninguém se deu ao trabalho de se preocupar com esse detalhe, e só tive nas mãos um buquê de copo-de-leite porque uma amiga minha levou de presente pra mim, dizendo que não existia noiva sem flores na mão. No fundo ela sabia que eu nem estava tão animada assim para a cerimônia, só queria mesmo acabar logo com aquilo tudo e viver com a pessoa que eu amava tanto, que tanto sofreu para estar ao meu lado.
Minha mãe foi ao cartório acompanhada dos meus avós, e meu pai apareceu lá com as irmãs dele, que achavam que eu estava casando porque eu estava grávida. Ele nem ao menos me cumprimentou direito, nem me lembro dele ter olhado pra mim.
Já haviam me avisado de que a cerimônia no cartório era rápida, mas não imaginava que eram apenas cinco minutos. E então, era aquilo? Ao trocar as alianças já estávamos casados? Eu mal podia acreditar. Foi o suspiro mais aliviado que dei em toda a minha vida quando nós entramos no carro com meus padrinhos e fomos para a casa deles.
Depois da lua de mel, fomos para a casa do Douglas, onde seria minha nova casa. Passei lá os oito meses mais felizes de toda a minha vida! Os pais dele me trataram com tanto amor e carinho, de uma forma como meu pai nunca me tratou antes. E ainda tinha os irmãos dele que eram muito legais comigo. Nesse tempo eu reaprendi a viver, a sorrir e a ser feliz.
Antes de me casar tinha vários problemas de saúde e que desapareceram assim que eu me vi livre da pressão da casa dos meus pais. Com o Douglas eu sou livre pra sorrir, cantar, conversar com todo mundo sem ter medo de ser reprimida. Meus sogros são como pais para mim. Há pouco, mudei para a casa dos meus avós maternos, porque eles estavam morando sozinhos e a casa era muito grande. Minha vida continua linda, desde o dia em que me casei. E hoje eu vejo que essa foi a melhor coisa que eu já fiz em toda a minha vida!





