Meu lar doce lar
Redação Sem Frescura • qui, 12 fev 2009 • Editoria: ComportamentoRaphaela Cunha
Para a professora Vanessa, morar sozinha é mais do que ter liberdade, é amadurecer |
Para alguns, morar sozinho é sinônimo de vida adulta. Não ter que dar satisfações, nem obedecer a ninguém. Enfim, a casa é sua e as regras são suas. Por outro lado, as contas e as tarefas domésticas também são suas. E, como tudo na vida, existe o lado negativo e o positivo.
A estudante de contabilidade Gisele Kalil, 25 anos, morava com a tia, mas resolveu se mudar para ter um pouco mais de liberdade. O fator decisivo veio quando ela foi transferida de emprego, que por sinal é ao lado da faculdade. A vontade de “crescer” também bateu na porta da professora Vanessa Santos, 27 anos. Por opção, Vanessa decidiu sair da casa dos pais e se tornar dona do seu próprio nariz. Há dois anos tomou a grande decisão, como ela mesma diz, e foi “caçar seu rumo”. Para a professora, morar sozinha não é apenas a conquista da liberdade, e sim “sinal que cresceu e não depende mais dos pais para se virar”, conta.
“Enfrentar o novo é um desafio para o jovem, é uma experiência de amadurecimento”, explica a psicóloga Graciela Bessa. “Porém nem todos têm a mesma capacidade de lidar com a situação e crescer de uma hora para a outra”, completa. Com Vanessa foi assim. Depois que se mudou, Vanessa esquecia de fazer algumas simples tarefas, como fazer compras e pagar as contas.
A psicóloga afirma que morar sozinho ajuda a pessoa a criar sua própria independência emocional e financeira, o que dificilmente teria na casa dos pais. Depois de conseguir a permissão para a saída, é provável que o relacionamento entre pais e filhos mude. É que o diálogo aumenta, assim como os telefonemas e a saudade, que bate mais forte.
A experiência vira história
O estudante Vinícius de Oliveira, 25 anos, decidiu se mudar para o interior de São Paulo, e fazer um curso de seis meses. Mas durante a estadia em Jaú, no interior do estado, foi convocado para o serviço militar, obrigando-o a permanecer no município. A saudade de casa e dos amigos fez com que ele criasse uma comunidade no Orkut, na qual faz de diário pessoal. Lá, ele conta os desafios que enfrentou, como pagar as contas e cozinhar.
A comunidade ganhou fama pelas histórias de um cara que mora sozinho. O sucesso de suas aventuras começou a ficar cada vez mais notório. Muitas pessoas se identificaram com a página e, entusiasmadas com as histórias, cobravam atualizações diárias. “Do dia para a noite as pessoas começaram a participar da comunidade”. Devido ao sucesso, Vinícius decidiu fechar a comunidade e criar um “blog assistencial”, o Morando Sozinho. “Quando eu comecei a morar sozinho não encontrava nada na Internet pra me ajudar com as tarefas domésticas”. Agora ele dá dicas de como desentupir a privada e se virar quando está doente.





